Do Gurgel ao Nubank e à Natura: o Brasil que inspira e transpira

Você sabia que o design ousado dos carros Gurgel, nos anos 70 e 80, pode ter antecipado a estética futurista do Tesla Cybertruck?

E que a maquiagem e o espetáculo visual da banda Kiss foram parcialmente inspirados por Ney Matogrosso, quando o Brasil ainda era visto como periférico no cenário do rock mundial?

Curioso, não? Pois é. O Brasil inspira, mesmo quando não recebe os créditos.

E não é só inspiração: o Brasil também transpira. Transpira trabalho, resiliência e paixão. Profissionais brasileiros são admirados lá fora pela disciplina, criatividade e disposição para enfrentar jornadas longas sob condições desafiadoras.

Aqui no Canadá, por exemplo, empregadores valorizam essa combinação rara. Essa energia é um patrimônio invisível do país, mas que deve ser preservado, para que não se torne exaustão ou desgaste físico e emocional.

Alguns líderes e executivos que reescreveram as regras:

  • Cristina Junqueira, cofundadora e líder de growth do Nubank, mudou a forma como América Latina enxerga finanças: seu banco digital atende mais de 114 milhões de clientes, tem avaliação de cerca de US$ 50 bilhões e promove inclusão e diversidade no setor financeiro. Fonte: Financial Times
  • Ricardo Semler, à frente da Semco Partners, revolucionou gestão com práticas radicais de democracia participativa. A receita saltou de US$ 4 milhões em 1982 para US$ 212 milhões em 2003, com crescimento anual de até 40 %. Fonte: Wikipedia
  • Guilherme Leal, cofundador da Natura, transformou a marca em referência global em sustentabilidade e inovação. Com programas como Ekos e iniciativas na Amazônia, ele pôs a biodiversidade brasileira no centro do modelo de negócios. Fonte: Wikipedia
  • Abilio Diniz, ícone do varejo brasileiro, liderou o Grupo Pão de Açúcar e impulsionou sua expansão internacional, além de reformular a BRF, levando seus lucros de R$ 700 milhões em 2012 para R$ 2,2 bilhões em 2014. Fonte: Wikipedia
  • Leila Velez, fundadora da Beleza Natural, saiu de uma favela do Rio para construir uma rede de mais de 4 000 funcionários e globalizar seu negócio até os Estados Unidos, investindo no empoderamento de mulheres periféricas. Fonte: Wikipedia
  • E tantos outros…

Empresas e setores também mostrar sua força:

  • O BTG Pactual, sob a liderança de André Esteves, registrou lucro histórico de R$ 12,3 bilhões em 2024 e quer posicionar o Brasil como fornecedor de 80% da demanda adicional de alimentos no mundo nos próximos 20 anos. Fonte: Financial Times
  • A JBS, maior frigorífica do planeta, voltou à Bolsa de Nova York meses após escândalos, mostrando resiliência e capacidade de retomada global. Fonte: Reuters
  • Iniciativas públicas também brilham: o Brasil está experimentando novos modelos de empreendedorismo público, com participação cidadã, transparência e inovação administrativa crescente. Fonte: World Economic Forum
  • O Brasil é a maior economia da América Latina e figura entre as dez maiores do mundo em PIB nominal. Em 2024, cresceu cerca de 3%, impulsionado por forte demanda interna. Fonte: santandertrade.com
  • Há escassez de talentos especializados no país, o que pressiona multinacionais a investirem na formação interna e atração de profissionais brasileiros, reforçando sua reputação positiva. Fonte: cliffsnotes.com

Infelizmente, a história da Gurgelé um alerta que não pode ser esquecido.

Mesmo com inovação pioneira, ousadia no design e visão de futuro, a empresa não resistiu à falta de um planejamento estratégico de país e de políticas públicas consistentes, crédito acessível e proteção mínima frente à concorrência externa.

Para não repetirmos esses erros, o Brasil precisa investir em estratégias industriais claras e políticas públicas de longo prazoque estimulem a inovação, protejam empreendedores e fortaleçam indústrias nacionais.

Sem esse cuidado, ideias brilhantes nascem, mas morrem cedo demais, e com elas se perde não apenas um negócio, mas a chance de o país consolidar liderança global em setores estratégicos.

O fato é que o Brasil não precisa mais viver de ecos modestos ou de desculpas do passado. Somos berço de inovação, criatividade, liderança transformadora e empresas que deixam legado.

Chega de orgulho disfarçado de humildade: é hora de nutrir esses talentos, celebrar nossas conquistas e construir um futuro onde inspirar a si mesmo seja o novo normal.

A síndrome do vira-lata não cabe mais nas nossas páginas, e muito menos nos nossos negócios.

Rafael Mottola Rocha.

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