O conselho simples que ninguém quer ouvir
Há alguns anos, ao final de uma palestra, meu mentor teria vivido uma cena que nunca mais o abandonou, e ele conta isso muitas vezes em nossas sessões.
O auditório já esvaziava quando um empresário, visivelmente inquieto, aguardava sua vez para cumprimentar o palestrante, um consultor empresarial e mentor com autoridade reputacional reconhecida. Ele havia prestado atenção em cada palavra, não era desinteressado, muito pelo contrário.
Quando finalmente chegou sua vez, ele se aproximou e foi direto ao ponto:
– Meus parabéns, adorei sua palestra e queria aproveitar para lhe perguntar: estou com um problema financeiro no meu negócio… – e passou a descrever, com riqueza de detalhes, suas dores, números, decisões recentes, tentativas frustradas.
Ao final, veio o pedido: – Eu gostaria de uma dica prática. Com toda a sua experiência, você certamente pode me ajudar.
O palestrante olhou para ele nos olhos e respondeu com serenidade: – Eu posso te dar uma dica prática como você diz ou um conselho simples… ou você pode nos solicitar um projeto de consultoria.
Sem hesitar, o empresário respondeu: – Prefiro o conselho simples.
O palestrante então lascou: – Então aqui vai: nos solicite um projeto de consultoria.
O empresário sorriu, sem graça mas entendendo o ponto.
O erro mais caro das empresas não está na execução. Está no início.
Existe uma expectativa quase universal no mundo empresarial: a de que problemas complexos podem ser resolvidos com respostas rápidas. Uma espécie de “atalho intelectual”, como se fosse possível prescrever um remédio sem exame, sem diagnóstico, sem compreender o histórico do paciente.
Na medicina, isso seria irresponsável. Na engenharia, impensável. Mas, curiosamente, na gestão… parece ser aceitável.
Ao longo de anos atuando como consultor, mentor, auditor, instrutor e palestrante, uma coisa ficou clara: cada empresa é um organismo único.
Mesmo quando os sintomas parecem iguais , tais como queda de faturamento, aumento de custos, baixa produtividade, conflitos internos, as causas raramente são.
E é justamente aí que mora o perigo dos “conselhos simples”: eles partem de padrões, mas ignoram contexto, fatores culturais, cenário, histórico, e… as entrelinhas.
Diagnóstico não é só uma etapa, é fundamento.
Em uma boa consultoria, tudo começa pelo diagnóstico. É nesse momento que se investiga:
- o modelo de negócio real (não o que está no papel);
- os gargalos operacionais;
- as decisões que foram tomadas e por quê;
- os indicadores que importam (e os que estão sendo ignorados);
- o comportamento das lideranças;
- e, muitas vezes, aquilo que ninguém está dizendo, mas todos estão sentindo.
Sem isso, qualquer solução é chute e conselho barato. E conselhos baratos costumam custar muito caro.
Bons consultores são bons pois transformaram décadas de conhecimento e experiência acumulados, experiência, cicatrizes e repertório em um método replicável para ajudar organizações e pessoas. Invariavelmente, todo projeto de consultoria inicia com um bom enunciado do problema e ou um diagnóstico que confirmará o problema e ou apontará para as principais oportunidades.




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