
Na última newsletter, trouxemos uma provocação que incomoda e, por isso mesmo, vale ouro: “achismos e opiniões no mundo empresarial costumam custar caro.”
Pode parecer óbvio, mas na prática, ainda é isso que muitas organizações fazem: tomam decisões relevantes com base em percepções superficiais, conselhos genéricos ou soluções prontas.
Gosto de comparar a consultoria empresarial com uma farmácia de manipulação: você não chega, descreve rapidamente um sintoma e sai com um composto personalizado.
Existe avaliação e prescrição prévias, dosagem correta, e em alguns casos existe acompanhamento.
Agora imagine a cena: – “Pode me dar uma fórmula pronta aí, qualquer uma que você ache que funcione?”
É isso que acontece quando uma empresa pede uma “dica prática” ou um “conselho simples” para resolver um problema estratégico.
Na essência, está se ignorando o mais importante: o conjunto de fatores que gerou o problema.
Empresas que crescem de forma consistente operam com outra lógica, pois já compreenderam que não existe solução padrão ou atalhos para problema estratégico.
Não pedem conselhos; investem em diagnóstico – empresas maduras não têm pressa de resolver… têm pressa de entender.
Voltando à cena do empresário que busca ajuda (te convido a ler a Newsletter anterior): ele não estava errado e o erro não estava na pergunta. Estava na expectativa.
No fundo, ele queria uma resposta rápida para um problema que levou meses, às vezes anos, para se formar e se tornar complexo.
Porém, problemas complexos não são resolvidos por soluções simples. Necessitam de método, profundidade.
E, se existe um conselho simples que realmente funciona, é este: antes de buscar soluções, invista em entender o problema, pois projetos bem-sucedidos não começam na solução.
Começam, sim, na pergunta certa.
Rafael Mottola Rocha


